É quase meia-noite, o semáforo da
av. Gustavo Jardim, continua dando sinal verde, mas não à ninguém
para passar. O silencio da cidade não incomoda, apesar de caminhar
sozinho, como sempre.
O tranquilo dia se foi e a paz
voltou a reinar, é como se estivesse a um passo do Éden. As vezes
nossa sombra é maior que nós mesmo e isto incomoda. Na memória
vultos de uma passado muito próximo me fazem companhia. O rio
Paraíba corta a cidade, calmamente e quase hipnótico, mas poucos
prestam atenção. Ela passou, olhou, sorriu e se foi. Apesar de
saber que logo estará de volta, fico ansioso. Ela tenta me dizer
muito coisa em seu silencio, mas o sorriso já me satisfaz. Preciso
continuar minha jornada, infelizmente. Vejo um céu escuro no
horizonte, mas não posso parar, afinal esta é minha estrada. A
manhã vai chegar e a serra nos fará companhia, assim como o pé do
Ipê amarelo no meio do verde. Será mais um dia quente, talvez
chova, talvez ela não se esqueça.
Será que o telefone tocará
novamente? E eu ouvirei apenas o silêncio?
Será que tudo isto será lembrado no
futuro distante?
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